quarta-feira, 16 de junho de 2010

Gerard sempre fez questão de ter auto-controle. Sempre fez questão de conduzir a própria vida sem interferência de outrem por achar que todos, com mínimas exceções, eram alienados.
Ele se considerava um careta perante a sociedade em que vivia, não que isso o incomodasse, mas quando indagado sobre sua vida sentimental, ele sempre respondia que estava tudo vem, que tudo corria perfeitamente. E isso o incomodava porque lá no fundo, ele queria uma pessoa, uma pessoa pra compartilhar aquele amor enorme que ele tinha por tudo e por todos. E por não ter essa pessoa, se sentia frustrado. Se perguntava sempre onde estava errando...

Num iluminado dia, parece que o universo ouvira tudo que ele sempre quis: apareceu uma pessoa em sua vida. A priori, óbvio, essa pessoa era perfeita: linda, inteligente, gostava de artes e animais em geral.. tudo que Gerard sempre idalizara. Mas por ter os pés no chão, Gerard logo identificou o defeito de sua aimé: ela era indecisa. Volúvel mesmo. De todos os defeitos que ele poderia ter encontrado na pessoa amada, ele encontrou o pior: a indecisão, a instabilidade. Depois disse, bem no fundo, ele sabia que aquilo não poderia dar certo, mas não queria ouvir nem a própria certeza depois de ter encontrado a pessoa amada. Ele queria que desse certo, embora soubesse que não daria. A voz veio milhões de vezes lhe dizer: "Desista! Desista!" Mas mesmo consciente, Gerard optar pela cegueira. E assim ele ia vivendo... amava-a à distância. Nunca chegou a senti-la pois jamais chegou a tocá-la. Depois de muito tempo, embora não quisesse ouvir aquela maldita resposta, ele insistira.. e conseguira.
"... Me diz. Diz que você não quer..." - ele insistia.
E Gerard esperou, esperou pela resposta que sabia ser a mais coerente, que ele mesmo deveria dar, porque ele também a sentia.
"Não vou mais enrolar... não vou ficar a cozinhar-lhe o tempo... não dá!"

Foi como um tiro: o impacto, a bala atravessando o peito, a dor, o choro, a raiva e depois... a renovação. Havia morrido! Mais uma de suas aspirações morreram. Morta pela própria criadora.
Para variar, ele se respeitou e deixou as lágrimas rolarem...
Esperou.
Aceitou.
Conformou-se.
Foi pro banho, limpou todas as feridas e passou o cicatrizante: o amor por si mesmo. Gerar percebeu depois de tudo isso, que ele é mais forte do que pensava. Mais ainda, aliás: ele percebeu que tudo passa.